segunda-feira, 28 de maio de 2012
Mônaco e Indy 500
As duas corridas ontem foram boas. A da Fórmula 1 em Mônaco, como corrida, foi ótima. Apesar de, depois da largada, a disputa pelos 03 primeiros lugares ter se mantido sem grandes alterações, a proximidade dos carros e as ameaças de confusão (chuva, pneus, batidas etc.) mantiveram a corrida interessante. E foi muito bom ver que o Massa parece estar recuperando sua auto-confiança. Vamos esperar mais um pouco...
As 500 milhas de Indianapolis seguiram o roteiro de sempre. 150 voltas monótonas, intercaladas com acidentes e algumas bobagens da parte dos participantes, e 50 voltas eletrizantes no final. Merecem destaque a fantástica penúltima relargada do Tony Kanaan, terminando a corrida em um honroso 3º lugar, e a disputa do Sato e Franchitti na última volta. Precisei assistir o replay 02 ou 03 vezes para me convencer que o Franchitti não empurrou o japonês para o muro. E o 10º lugar do Rubinho na sua primeira participação no oval onde os carros percorrem a volta a uma velocidade média de 220 milhas não é pouca coisa, não. Conseguir ficar fora do muro por 200 voltas é, em si, uma vitória.
domingo, 20 de maio de 2012
Programa Alexandre Garcia GloboNews - Motos x Acidentes no Trânsito
Semana passada tive a oportunidade de participar do Programa Alexandre Garcia na GloboNews, que abordou o assunto Motos x Acidentes no Trânsito no Brasil. O convite do Alexandre foi inesperado e gratificante, e as pessoas com quem falei que assistiram o programa parecem ter gostado muito. Tendo interesse e tempo, confiram o resultado através do link http://g1.globo.com/globo-news/alexandre-garcia/videos/t/todos-os-videos/v/brasil-busca-formas-de-reduzir-o-numero-de-mortes-no-transito/1940698/
Motovelocidade em Estoril e Le Mans
As corridas de motovelocidade no Estoril e em Le Mans no fim de semana passado e neste Domingo foram muito boas, em especial as da Moto 2. Semana passada o Marc Marquez deu um show de pilotagem no circuito português, e ganhou a corrida. Como de costume nessa categoria, vários pilotos tinham chances de vitória, o que valorizou o resultado obtido pelo jovem e talentoso espanhol. Em Le Mans, debaixo de chuva, ele caiu. Mas seu tombo serviu para demonstrar com clareza o fato de que é o efeito giroscópico das rodas que equilibra a motocicleta. Ele caiu da moto (acho que foi o Marquez - foram tantos tombos que agora não tenho certeza)que, sem piloto e na grama, percorreu perfeitamente equilibrada uma grande distância até bater na barreira de pneus! O vencedor da corrida foi o Luthi, que soube evitar todas as armadilhas da pista molhada e conseguiu uma expressiva vitória. Parabéns.
Por causa da chuva, a corrida da MotoGP na França também foi muito emocionante. Como foi bom ver o Rossi disputando novamente as primeiras posições, superando com sua pouco competitiva Ducati - no braço - as Hondas de fábrica do Pedrosa e Stoner. Só não deu para alcançar o Lorenzo, que mais uma vez brindou seus fãs com uma aula de pilotagem e inteligência.
domingo, 8 de abril de 2012
Motovelocidade 2012 - Qatar
E vamos nós de novo!
A corrida de Moto 2 no circuito de Losail foi espetacular. Parabéns ao Marc Marques, que conseguiu chegar ao fim das 20 voltas em 1º lugar. Mas havia mais uns 4 ou 5 que poderiam ter vencido a corrida - muito bom.
Para quem gosta de corridas, o formato adotado pela Moto 2 é sensacional. Todos os pilotos são obrigados a usar o mesmo motor - um Honda 600cc especial - mas as motos são protótipos projetados e construídos por diferentes fabricantes (lembram da antiga F-1 - quase todo mundo com motores Cosworth mas com diferentes carros?). O resultado são corridas sensacionais, muito disputadas, onde o talento de cada piloto tem um peso muito grande no resultado final das corridas. Na minha opinião, a Moto 2 é atualmente o verdadeiro Campeonato Mundial de Pilotos.
Já a MotoGP é o Campeonato Mundial de Marcas. Por maior que seja o talento e experiência de um piloto (Valentino Rossi), se sua moto for inferior às demais (Ducati) ele dificilmente será mais que um mero coadjuvante nas corridas.
Nada disso diminui o mérito do Jorge Lorenzo nesta primeira corrida da temporada de2012. Sua Yamaha era nitidamente mais lenta que as Hondas em linha reta, mas seu talento, inteligência e o acerto do chassis o levaram a uma conquista memorável. Ele controlou e superou o Stoner e o Pedrosa com maestria, e transformou uma corrida chata numa corrida chata com um final emocionante!
A corrida de Moto 2 no circuito de Losail foi espetacular. Parabéns ao Marc Marques, que conseguiu chegar ao fim das 20 voltas em 1º lugar. Mas havia mais uns 4 ou 5 que poderiam ter vencido a corrida - muito bom.
Para quem gosta de corridas, o formato adotado pela Moto 2 é sensacional. Todos os pilotos são obrigados a usar o mesmo motor - um Honda 600cc especial - mas as motos são protótipos projetados e construídos por diferentes fabricantes (lembram da antiga F-1 - quase todo mundo com motores Cosworth mas com diferentes carros?). O resultado são corridas sensacionais, muito disputadas, onde o talento de cada piloto tem um peso muito grande no resultado final das corridas. Na minha opinião, a Moto 2 é atualmente o verdadeiro Campeonato Mundial de Pilotos.
Já a MotoGP é o Campeonato Mundial de Marcas. Por maior que seja o talento e experiência de um piloto (Valentino Rossi), se sua moto for inferior às demais (Ducati) ele dificilmente será mais que um mero coadjuvante nas corridas.
Nada disso diminui o mérito do Jorge Lorenzo nesta primeira corrida da temporada de2012. Sua Yamaha era nitidamente mais lenta que as Hondas em linha reta, mas seu talento, inteligência e o acerto do chassis o levaram a uma conquista memorável. Ele controlou e superou o Stoner e o Pedrosa com maestria, e transformou uma corrida chata numa corrida chata com um final emocionante!
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Marco Simoncelli
Não dá para deixar de comentar o acidente do Simoncelli, em que o simpático italiano lamentavelmente perdeu a vida aos 24 anos de idade.
Mas, antes, quero registrar a opinião do Giacomo Agostini (08 vezes campeão mundial) sobre o acidente, que lí no Facebook. Segundo ele, não foi a moto que caiu, foi o piloto - quando uma moto escorrega e cai, ela vai para fora da curva, e não para dentro, como aconteceu. O Marco aparentemente caiu de cima da moto para dentro da curva, e continuou tentando se segurar em cima dela, fazendo com que a moto viesse para dentro da curva e fosse atingida pelas motos que vinham atrás.
Resta saber porque ele caiu, e porque caiu para dentro da curva (contra a força centrífuga, que empurrava ele e a moto para fora da curva). Provavelmente nunca saberemos ao certo. Mas uma possibilidade assustadora é a seguinte.
Jamais entendi essa história de tirar o pé do pedal interno imediatamente antes de tomar uma curva, introduzida pelo Rossi há mais de um ano e hoje adotada por vários pilotos da MotoGP - inclusive o Simoncelli. A única razão que consigo imaginar para adotar esta esquisita "técnica" é transferir mais peso para o pedal externo em relação à curva. Sabidamente, a transferência de mais peso para o pedal externo contribui muito para estabilizar a moto durante uma curva, e, por não ser natural e intuitiva, requer muita atenção, treino e prática para ser executada. Tirando o pé do pedal interno, o piloto só consegue se movimentar em cima da moto usando o pedal externo como apoio, automaticamente transferindo mais peso para o mesmo.
Ao mesmo tempo, acho muito difícil acreditar que pilotos da MotoGP precisem recorrer a este perigoso artifício para conseguir transferir mais peso para o pedal externo. Digo perigoso porque pode um dia acontecer do pé não voltar exatamente para o pedal, ou de escorregar do pedal durante a manobra. O Valentino deve provavelmente ter começado esta brincadeira para mexer com a cabeça dos demais competidores.
Isto poderia explicar o que aconteceu com o Marco. Se seu pé escapou do pedal interno, é possível que esta tenha sido a razão de ele cair para dentro da curva. E se seu pé ficou preso entre o pedal e o asfalto, pior ainda. Não só seu peso aumentou a inclinação da moto, fechando a curva no processo, mas também o atrito do seu pé/pedal com o asfalto funcionou como pivô, ou âncora, girando a moto sobre este ponto.
Como disse, provavelmente nunca saberemos ao certo. Todavia, se na próxima corrida, alguns pilotos começarem a parar de empregar essa "técnica", talvez tenha sido exatamente isso que aconteceu. Lamentavelmente.
Mas, antes, quero registrar a opinião do Giacomo Agostini (08 vezes campeão mundial) sobre o acidente, que lí no Facebook. Segundo ele, não foi a moto que caiu, foi o piloto - quando uma moto escorrega e cai, ela vai para fora da curva, e não para dentro, como aconteceu. O Marco aparentemente caiu de cima da moto para dentro da curva, e continuou tentando se segurar em cima dela, fazendo com que a moto viesse para dentro da curva e fosse atingida pelas motos que vinham atrás.
Resta saber porque ele caiu, e porque caiu para dentro da curva (contra a força centrífuga, que empurrava ele e a moto para fora da curva). Provavelmente nunca saberemos ao certo. Mas uma possibilidade assustadora é a seguinte.
Jamais entendi essa história de tirar o pé do pedal interno imediatamente antes de tomar uma curva, introduzida pelo Rossi há mais de um ano e hoje adotada por vários pilotos da MotoGP - inclusive o Simoncelli. A única razão que consigo imaginar para adotar esta esquisita "técnica" é transferir mais peso para o pedal externo em relação à curva. Sabidamente, a transferência de mais peso para o pedal externo contribui muito para estabilizar a moto durante uma curva, e, por não ser natural e intuitiva, requer muita atenção, treino e prática para ser executada. Tirando o pé do pedal interno, o piloto só consegue se movimentar em cima da moto usando o pedal externo como apoio, automaticamente transferindo mais peso para o mesmo.
Ao mesmo tempo, acho muito difícil acreditar que pilotos da MotoGP precisem recorrer a este perigoso artifício para conseguir transferir mais peso para o pedal externo. Digo perigoso porque pode um dia acontecer do pé não voltar exatamente para o pedal, ou de escorregar do pedal durante a manobra. O Valentino deve provavelmente ter começado esta brincadeira para mexer com a cabeça dos demais competidores.
Isto poderia explicar o que aconteceu com o Marco. Se seu pé escapou do pedal interno, é possível que esta tenha sido a razão de ele cair para dentro da curva. E se seu pé ficou preso entre o pedal e o asfalto, pior ainda. Não só seu peso aumentou a inclinação da moto, fechando a curva no processo, mas também o atrito do seu pé/pedal com o asfalto funcionou como pivô, ou âncora, girando a moto sobre este ponto.
Como disse, provavelmente nunca saberemos ao certo. Todavia, se na próxima corrida, alguns pilotos começarem a parar de empregar essa "técnica", talvez tenha sido exatamente isso que aconteceu. Lamentavelmente.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Os pneus
Foi só eu reclamar das corridas de MotoGP e Fórmula 1 que as últimas corridas foram muito melhores. Talvez o pessoal tenha lido este blog e decidido fazer alguma coisa a respeito (sonhar é de graça). Mas, de fato, as últimas 02 corridas da MotoGP foram interessantes, e a corrida de F1 em Nurburgring, ontem, foi sensacional. O Hamilton recuperou o equilíbrio emocional e fez uma corrida perfeita - arriscou quando era preciso, e poupou carro e pneus quando podia. Muito bom. A propósito, parece que a Pirelli está acordando e, a despeito da vontade do Bernie, fornecendo pneus um pouco mais previsíveis aos pilotos.
Falando em pneus, vale a pena repetir uma regra fundamental do motociclismo - NUNCA PILOTE UMA MOTO COM PNEUS EM MAU ESTADO. Os dois pontos de contato dos pneus com o solo são vitais. Pense um pouco, todo comando dado à motocicleta depende daqueles dois pontos para acontecer. A frenagem, a mudança de direção, a aceleração, tudo depende deles. Sua vida depende deles!
Caso decida, por preguiça ou economia, que só vai se preocupar com a manutenção de um único componente da moto, este componente tem que ser os pneus. Use pneus de boa qualidade. Economize no resto, se quiser, mas não nos pneus. Certifique-se sistematicamente de que estejam em bom estado, com a banda de rodagem e as laterais intactas, e não excessivamente desgastados. Se você trafega muito em linha reta, não deixe os pneus ficarem muito "achatados", perdendo sua forma arredondada original. Troque-os antes. Pneus com a banda de rodagem meio plana prejudicam muito o comportamento da moto em curvas.
Mantenha-os com a pressão recomendada pelo Manual do Proprietário. Faça disso um hábito: sempre antes de sair com a moto, dê uma olhada nos pneus para ter certeza de que está tudo em ordem, e ao menos uma vez por semana verifique a sua calibragem. As motos são muito mais sensíveis à calibragem dos pneus que os automóveis. Primeiro, porque são só dois pneus e não quatro; segundo, porque são menores que os dos carros, e uma pequena variação em seu volume de ar comprimido resulta em uma significativa diferença de pressão; e terceiro, como seus pontos de contato com o solo também são menores, é fundamental que seu comportamento (seu perfil em curvas e sua deformação sob impactos e outras forças) seja o previsto pelo fabricante.
Falando em pneus, vale a pena repetir uma regra fundamental do motociclismo - NUNCA PILOTE UMA MOTO COM PNEUS EM MAU ESTADO. Os dois pontos de contato dos pneus com o solo são vitais. Pense um pouco, todo comando dado à motocicleta depende daqueles dois pontos para acontecer. A frenagem, a mudança de direção, a aceleração, tudo depende deles. Sua vida depende deles!
Caso decida, por preguiça ou economia, que só vai se preocupar com a manutenção de um único componente da moto, este componente tem que ser os pneus. Use pneus de boa qualidade. Economize no resto, se quiser, mas não nos pneus. Certifique-se sistematicamente de que estejam em bom estado, com a banda de rodagem e as laterais intactas, e não excessivamente desgastados. Se você trafega muito em linha reta, não deixe os pneus ficarem muito "achatados", perdendo sua forma arredondada original. Troque-os antes. Pneus com a banda de rodagem meio plana prejudicam muito o comportamento da moto em curvas.
Mantenha-os com a pressão recomendada pelo Manual do Proprietário. Faça disso um hábito: sempre antes de sair com a moto, dê uma olhada nos pneus para ter certeza de que está tudo em ordem, e ao menos uma vez por semana verifique a sua calibragem. As motos são muito mais sensíveis à calibragem dos pneus que os automóveis. Primeiro, porque são só dois pneus e não quatro; segundo, porque são menores que os dos carros, e uma pequena variação em seu volume de ar comprimido resulta em uma significativa diferença de pressão; e terceiro, como seus pontos de contato com o solo também são menores, é fundamental que seu comportamento (seu perfil em curvas e sua deformação sob impactos e outras forças) seja o previsto pelo fabricante.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
A Atenção do Motociclista
Um aspecto freqüentemente esquecido, e muito importante, é que o principal componente do conjunto moto/piloto não é o motor, o freio, ou a suspensão da moto.
É o cérebro do motociclista. E, em especial, sua mente, a parte consciente do órgão mais complexo e sofisticado já criado pela natureza, onde reside nossa capacidade de pensar e de prestar atenção.
O objeto da atenção de um piloto é o elemento-chave que determinará seu desempenho como motociclista. Infelizmente, nossa atenção é finita: cada indivíduo tem certa quantidade para usar. Temos certa quantidade de atenção assim como temos certa quantidade de dinheiro. Alguns têm mais, outros têm menos.
Imagine que você tem 100 unidades de atenção para usar. Se empregar 50 unidades em um só aspecto de pilotar uma moto, restarão 50 unidades para todos os demais aspectos. Um motociclista inexperiente vai, provavelmente, gastar 90 unidades só para operar a moto – soltar a embreagem, acelerar, trocar as marchas, fazer uma curva, e assim por diante - sobrando apenas 10 unidades para a rua, pedestres, tráfego de outros veículos etc.
Alguns motociclistas acham que, com tempo e experiência, certas ações – como trocar as marchas, por exemplo – tornam-se automáticas. Não é bem assim. Eles simplesmente estão empregando menos atenção para executá-las. Isto conduz à boa pilotagem. Quanto maior o número de ações que o piloto conseguir reduzir ao custo de poucas unidades de atenção, mais atenção sobrará para dedicar a coisas mais importantes. E isso só se consegue através de estudo, treino e experiência.
O que não entendemos sempre requer mais atenção. Toda vez que surge um fato ou uma situação que não compreendemos, fixamos nossa atenção nesse fato ou situação. Faz parte de um processo mental inconsciente, que nos ajuda a entender o mundo a nossa volta. Uma situação cujo desfecho não conseguimos prever nos assusta, e o medo ou pânico custam 99 unidades de atenção.
É preciso entender o comportamento de uma moto em movimento, e quais as técnicas, e cuidados, que levam a uma pilotagem segura e de qualidade. O princípio geral com relação à melhoria de pilotagem deve ser:
Simplificar as ações e operações de pilotar uma moto, definindo o que é básico, e dominá-las para que usem o mínimo possível de atenção.
Dominar as ações e operações significa entendê-las (como funcionam e porquê) e, através de treino e prática, torná-las tão familiares que jamais haverá dúvidas quanto ao que fazer em determinada situação, e quais os resultados que serão obtidos, usando só uma pequena parcela de nossa atenção.
Poucas coisas são tão divertidas e emocionantes como andar de moto. A sensação de liberdade, a proximidade e intimidade com o ambiente, a aceleração e o prazer de explorar e descobrir nossos limites, e os limites da máquina que estamos pilotando.
Basta aprender a fazer isso direito!
É o cérebro do motociclista. E, em especial, sua mente, a parte consciente do órgão mais complexo e sofisticado já criado pela natureza, onde reside nossa capacidade de pensar e de prestar atenção.
O objeto da atenção de um piloto é o elemento-chave que determinará seu desempenho como motociclista. Infelizmente, nossa atenção é finita: cada indivíduo tem certa quantidade para usar. Temos certa quantidade de atenção assim como temos certa quantidade de dinheiro. Alguns têm mais, outros têm menos.
Imagine que você tem 100 unidades de atenção para usar. Se empregar 50 unidades em um só aspecto de pilotar uma moto, restarão 50 unidades para todos os demais aspectos. Um motociclista inexperiente vai, provavelmente, gastar 90 unidades só para operar a moto – soltar a embreagem, acelerar, trocar as marchas, fazer uma curva, e assim por diante - sobrando apenas 10 unidades para a rua, pedestres, tráfego de outros veículos etc.
Alguns motociclistas acham que, com tempo e experiência, certas ações – como trocar as marchas, por exemplo – tornam-se automáticas. Não é bem assim. Eles simplesmente estão empregando menos atenção para executá-las. Isto conduz à boa pilotagem. Quanto maior o número de ações que o piloto conseguir reduzir ao custo de poucas unidades de atenção, mais atenção sobrará para dedicar a coisas mais importantes. E isso só se consegue através de estudo, treino e experiência.
O que não entendemos sempre requer mais atenção. Toda vez que surge um fato ou uma situação que não compreendemos, fixamos nossa atenção nesse fato ou situação. Faz parte de um processo mental inconsciente, que nos ajuda a entender o mundo a nossa volta. Uma situação cujo desfecho não conseguimos prever nos assusta, e o medo ou pânico custam 99 unidades de atenção.
É preciso entender o comportamento de uma moto em movimento, e quais as técnicas, e cuidados, que levam a uma pilotagem segura e de qualidade. O princípio geral com relação à melhoria de pilotagem deve ser:
Simplificar as ações e operações de pilotar uma moto, definindo o que é básico, e dominá-las para que usem o mínimo possível de atenção.
Dominar as ações e operações significa entendê-las (como funcionam e porquê) e, através de treino e prática, torná-las tão familiares que jamais haverá dúvidas quanto ao que fazer em determinada situação, e quais os resultados que serão obtidos, usando só uma pequena parcela de nossa atenção.
Poucas coisas são tão divertidas e emocionantes como andar de moto. A sensação de liberdade, a proximidade e intimidade com o ambiente, a aceleração e o prazer de explorar e descobrir nossos limites, e os limites da máquina que estamos pilotando.
Basta aprender a fazer isso direito!
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